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Prof Zander

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HOME que se torna OFFICE e não “OFFICES” que se tornam “HOME”!

O "novo normal”, será de “Home Office” e não de “Offices que se tornam Home”. Tire e o retrato da família da mesa do escritório, essa mesa não será mais a extensão da sua casa e sim uma ferramenta da empresa disponível; faça um curso de gestão de tempo, esse é, e, permanecerá sendo seu maior ativo; desenvolva “soft skills” voltadas para os relacionamentos interpessoais, em outras palavras, aprenda a conviver.

No distante ano de 2009, lembro que comentava com colegas da Positivo Informática (trabalhava no marketing da empresa) sobre o pioneirismo da Microsoft que adotara o home office no Brasil. Conversávamos sobre as possibilidades de executar nossas atividades, de fazer reuniões e exercitávamos a imaginação pensando sobre quais cargos, empresas e tipos de negócio “performariam” com maior facilidade nesse formato e sobre quais adaptações seriam necessárias. Ficamos MUITO empolgados com ideias como trabalhar de pijama, fazer o próprio horário, mas esbarramos em uma conclusão quase unanime:

Precisaria haver uma ruptura muito grave para que o mercado brasileiro assumisse essa postura. Se era difícil imaginar a apresentação da proposta de home office ao diretor de uma empresa de tecnologia, o que pensar sobre a aplicação em massa desse formato, “seria muito legal, mas o Brasil ainda precisa de 2 ou 3 décadas para comprar essa ideia! ”…

Pois é, a ruptura chegou, e NÃO TEM VOLTA!

BANCO DO BRASIL

Na última semana, o Banco do Brasil divulgou que se rendeu ao home office, no início de 2020 a instituição contava com apenas 257 pessoas trabalhando à distância, hoje, são mais de 32 mil funcionários em trabalho remoto. Com isso, o banco devolverá 19 de um total de 35 edifícios de escritório que ocupa em 7 estados e no DF. Para a empresa isso significará uma economia aproximada de R$ 1,7 bilhão em 12 anos.

Em entrevista para o Estadão, o vice-presidente corporativo do BB, Mauro Ribeiro Neto, disse que cerca de 30% dos trabalhadores continuarão a atuar parcialmente em home office afirmou que “A medição de produtividade por permanência no escritório é coisa do passado. Precisamos deixar isso para trás”.

A produção é maior, sem dúvida, mas e os gastos com equipamento e internet?

LIMINAR OBRIGA PETROBRAS PAGAR OS CUSTOS COM O HOME OFFICE

No dia 08 de julho foi concedido em liminar (em decisão provisória que pode ser revertida durante o processo até a decisão terminativa) pela 52ª Vara do trabalho do Rio de Janeiro, a obrigação da Petrobras pagar, no prazo máximo de 10 dias úteis, pelos custos mobiliários dos 16 mil funcionários (aproximadamente) que estão em home office. Os custos incluem equipamentos de informática, pacotes de dados e energia elétrica indispensáveis ao regular desempenho do teletrabalho.

Resumindo o caso Petrobrás:

Desde março, 90% dos funcionários da Petrobras estão em home. No mesmo comunicado que determinava o novo formato de trabalho, estava expresso que a empresa se isentaria de reembolso de qualquer custo extra. Com base na medida provisório 927/20 (medidas trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública), o Sindipetro-RJ pleiteou o reembolso em juízo. Assim que foi notificada da ação, a Petrobrás ofereceu o pagamento de parcela única de R$ 1mil a cada funcionário para compra de equipamentos ergonômicos (cadeira, suporte, etc.). A juíza ao analisar o pedido disse que “o empregador poderia se resguardar, providenciando um ajuste prévio expresso individualmente com cada empregado, haja vista que são situações peculiares”. Como a empresa não fez isso, afirmou a magistrada que a empresa, “atraiu para si o risco de arcar com os prejuízos experimentados pelos empregados. ”, além disso, a magistrada citou o artigo 2º da CLT ao afirmar que os riscos da atividade econômica são do empregador “não sendo admissível o compartilhamento dos custos para execução dos trabalhos”. Em resposta a Petrobras anunciou que suspenderá o pagamento do auxílio de R$ 1mil a todos os funcionários do Rio de Janeiro.

Provavelmente fará isso enquanto recorre da decisão, mas fica evidente que a empresa não está preocupada em atender a essa demanda de seus funcionários e protelará enquanto for possível.

MERCADOS QUE VÃO ESTENDER O HOME OFFICE

O seguimento de tecnologia segue os grandes líderes google, facebook, Microsoft; além de projetar o teletrabalho até o final de 2020, o setor fala sobre remodelagem dos escritórios para 2021 e muitas empresas já assumiram – a exemplo da decisão citada acima no BB – a continuidade, pós pandemia, das atividades home office.

O mercado de educação sofreu fortes mudanças com a pandemia, grande parte das universidades privadas anunciaram previsão de aulas síncronas para todo o segundo semestre. Algumas universidades – a exemplo da PUC/PR – disponibilizaram equipamento e acesso para alunos que não dispunham. A impossibilidade de fornecer acesso a todos os alunos (pela falta de investimento – sobretudo – do governo federal) foi o motivo responsável pela perda do ano letivo dos alunos de universidades federais.

Telefonia (VIVO, TIM, CLARO), Ambev, Johnson & Johnson, LafargeHolcim, essas e outras empresas – cada um com sua estratégia – apontam para o mesmo vetor, para manter o home office integral ou na maior parte do tempo possível para departamentos administrativos, financeiro, jurídico, gestão de pessoas, suporte ao cliente entre outros.

Juliana Andrigueto, diretora de recursos humanos da LafargeHolcim, multinacional suíça que fabrica materiais de construção, em entrevista ao portal de notícias r7, disse que a empresa entregará um escritório no Rio d Janeiro e que os 150 funcionários atuarão em teletrabalho por tempo indeterminado. Essa mudança significará uma economia de R$ 2 milhões por ano apenas com aluguel. A diretora comenta sobre a remodelagem dos escritórios no “novo normal”, sobre a nova cara dos escritórios, com layouts desenvolvidos para facilitar interações e reuniões. “Vai ser menos o conceito de ‘eu tenho a minha baia de trabalho’ e mais o conceito de sentar onde quiser”.

ACELERAÇÃO TECNOLÓGICA

A Johnson & Johnson, por meio de diretora de RH no Brasil, Betina Lackner, na mesma matéria publicada pelo portal de notícias r7, destacou a “aceleração da transformação digital”, ao referir-se sobre as céleres atuações da empresa frente à pandemia. “Chegamos a ter reuniões virtuais com mais de mil colaboradores participando. Aceleramos a transformação digital que já estava em curso”. A empresa vem se dedicando a evoluir no processo de ampliação do home office.

A Ambev, por sua vez, tem foco em construir uma nova rotina em conjunto com seus trabalhadores, a diretora de Desenvolvimento de Gente, Camila Tabet (na mesma matéria citada imediatamente acima), que a empresa realizou uma pesquisa com seus colaboradores e quem 90% sugeriu uma solução que combinasse trabalho remoto e presencial. Dentre as ações, a serem adotadas, haverá uma reforma nos de trabalho, onde as estações de trabalho darão espaço para o nascimento de mais áreas de interação.

POR FIM…

Hoje começa a incomodar a rotina do pijama, a promessa de que todos os dias seriam sábado materializou-se – como no filme feitiço do tempo (1993) ou, para os mais jovens, no limite do amanhã (2006) – em eternas segundas-feiras. Todo o dia virou dia de trabalho; o almoço, passou de meio dia, 13 horas para “quando der, um pão com manteiga”; a mesa da cozinha, o balcão da pia, a cama, tudo se transformou em mesa de escritório; o happy hour se transmutou em lives, infinitas lives. O grande poeta do meu Porto Alegre estava certo “O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente”, verdade, amado Quintana!

O tempo é uma linha reta, não há volta, o amanhã, ou como muitas dizem “o novo normal”, será de “Home Office” e não de “Offices que se tornam Home”. Tire e o retrato da família da mesa do escritório, essa mesa não será mais a extensão da sua casa e sim uma ferramenta da empresa disponível; faça um curso de gestão de tempo, esse é, e, permanecerá sendo seu maior ativo; desenvolva “soft skills” voltadas para os relacionamentos interpessoais, aprenda a ouvir e a conviver com sua esposa, seu filho, seu marido, seus pais, seus vizinhos, seu cachorro e com todas as demandas momentâneas que apresentar-se-ão como emergenciais a despeito de qualquer tarefa profissional, mesmo urgente, que você esteja desenvolvendo. Em outras palavras, aprenda a conviver, a viver com.

Por fim, lembre-se da importante lição da professora, poetisa e escritora americana Lucy Larcom (1824 a 1893): “Whatever with the past has gone, the best is always yet to come. ”, em tradução livre, “O que quer que tenha passado, já foi; o melhor ainda está por vir. ”. Acredito que o tempo é uma linha reta, mas em ascensão, a cada dia subimos um degrau e constatamos um progresso contínuo, irrefreável. Em suma, prepare-se, trabalhe e tenha fé no futuro!

https://noticias.r7.com/economia/empresas-aderem-ao-home-office-permanente-e-mudarao-escritorios-22062020

https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2020/07/08/com-home-office-bb-vai-devolver-19-de-35-edificios-de-escritorios-no-pais.htm?

https://valor.globo.com/legislacao/noticia/2020/07/12/justica-determina-a-petrobras-pagar-por-gastos-com-home-office.ghtml

Prof Zander

Prof Zander

Produtor Digital, coach, professor e entusiasta da Neurociência Cognitiva e da Neurolinguistica. Trabalho com objetivo de gerar acessos e soluções que atendam a diversidade de pessoas, necessidades e realidades educacionais.

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